PAIVA,V.L.M.O. Derrubando paredes e construindo comunidades de aprendizagem. In: LEFFA,V (org.). O professor de línguas estrangeiras. Pelotas: ALAB & Educat/UCPel, 2001. p.193-209

DERRUBANDO PAREDES E CONSTRUINDO COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM

Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva (UFMG)

Segundo Freire (1987:68), ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Plagiando Freire, eu diria que, em cursos on-line, podemos criar um ambiente em que ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediados pelo computador.

 

Desde 1997, quando foi instalado um laboratório de computadores ligado à Internet na Faculdade de Letras da UFMG, venho utilizando recursos da Internet – o email, o chat e a WWW – para ministrar uma disciplina de língua inglesa que tem por objetivo desenvolver habilidades de leitura e escrita em inglês.

A experiência tem contado com a participação de monitores do Programa de Pós-Graduação em Estudos Lingüísticos, alunos do mestrado ou do doutorado em Lingüística Aplicada, que aprimoram sua formação pedagógica ao ter a oportunidade de participar de atividades docentes dentro de uma nova perspectiva – a interação virtual.

Amostras de chat e mensagens eletrônicas trocadas entre os participantes formam um rico corpus para a pesquisa de nossos pós-graduandos e trabalhos acadêmicos vêm sendo produzidos pelos diversos monitores que participaram da experiência. Relato da primeira experiência pode ser visto em Silva (1999:284) e dados de 1998 e 1999 serviram de corpus para a dissertação de mestrado de Ricardo Augusto de Souza. Souza (2000) utilizou amostras de chats fornecidas pelos alunos para descrever as marcas do discurso oral nos textos produzidos em interações sincrônicas mediadas por computador.

A disciplina é optativa para alunos do curso de Graduação em Letras – Bacharelado e Licenciatura. Até o segundo semestre de 1998, o curso era presencial, ou seja, professor, monitor e alunos se reuniam no laboratório durante quatro horas-aula divididas em dois encontros semanais. A partir do primeiro semestre de 1999, as aulas passaram a ser totalmente a distância, o que permitiu que derrubássemos as paredes da sala de aula tradicional, criando uma comunidade de aprendizagem composta por alunos dos turnos diurno e noturno. Quando há vagas, são aceitos também alunos que se matriculam em disciplina isolada e já tivemos oportunidade de ter uma aluna em Caruaru conforme demonstra a mensagem abaixo:

Subject: [rwatufmg] Away from the sea!

Date: Wed, 14 Apr 1999 00:19:32 -0300

From: Marize

To: Ricardo Augusto de Souza <ricardod@unix.horizontes.com.br>,

rwatufmg@egroups.com

Dear Ricardo,

Unfortunately I was 'away from the sea'. Caruaru stays in countryside of PE but Recife is near, about 140 km. Recife is an interesting city. Do you know that the first "Sinagoga" built in Brazil was there? It is localizeted in street "Bom Jesus". Before of reconquest portuguese in seventeenth century it was called street of the jews. I really like of that citty, but a prefer Olinda. It looks like Ouro Preto with sea, it's great.

Nevertheless you are correct: this place is very, very hot and I can't stand heat.

Hug for you,

Marize

At 00:35 14/04/99 -0300, Ricardo Augusto de Souza wrote:

>At 13:01 13/04/99 -0300, Marize wrote:

>

>>>

>>> My name is Marize and currentely I live in Caruaru.

>

>Hi Marize,

>What has the weather been like in the northeast? It seems >it will never really cool down here. I'm sick and tired of >hot weather (away from the sea, I mean)!

>Cheers,

>Ricardo.

O curso fica aberto a qualquer pessoa que queira receber as tarefas e as mensagens do grupo, mas apenas os alunos matriculados têm permissão para interagir. A proibição de interação é necessária para manter o número de mensagens dentro de um limite que não ultrapasse o tempo que os alunos dispõem para participar do curso.

Algumas vezes os próprios alunos trazem seus amigos, na condição de ouvintes, para a comunidade virtual ou repassam a eles as informações divulgadas na lista de discussão. Veja exemplo abaixo onde um aluno relata o desejo de um amigo de participar do curso.

 

De: Leandro

Enviado em: Sábado, 29 de Abril de 2000 00:30

Para: rwufmg@eGroups.com

Assunto: [rwufmg] 9th task

Hi,

The exercises of the ninth task were very, very interesting. Maybe they were the most amazing of all. I use to print the tasks that are suggested and this one I have not only printed but also recommended to many of my friends that study English too. One of them even asked me if he could take part on our Internet classes. But unfortunately, he is not an UFMG student. Anyway, I will keep on making good suggestions to him.

The exercises were very instructive and it was very interesting to acquire international culture knowledge.

There's one more thing: I've got in touch with a new pen friend from Australia and it seems that the experience will be a good one. It is already being.

Hugs for you all.

Have a nice weekend.

 

De: Vera Menezes [vlmop@net.em.com.br]

Enviado em: Sábado, 29 de Abril de 2000 17:32

Para: rwufmg@eGroups.com

Assunto: RES: [rwufmg] 9th task

Dear Leandro,

Your friend can receive our messages if he wants to. The only thing he cannot do is to send messages to our group. If he wants to be only a lurker, just give me his address and I will include him in our group. I am glad there are other persons interested in our list.

Cheers,

Vera

O gerenciamento do curso é muito trabalhoso, pois há uma enorme demanda não só dos alunos como de outra pessoas que se interessam em participar do grupo. No início das atividades, alguns alunos acostumados a uma interação menos centrada nos alunos, insistem em manter uma correspondência paralela com o professor, mas aos poucos o grupo se consolida como uma comunidade virtual de aprendizagem onde o conhecimento passa a ser coletivamente construído.

O curso é ministrado através de uma lista de discussão onde se dá toda a interação entre os integrantes da comunidade virtual de aprendizagem – alunos, monitor, e professor. A lista de discussão é hospedada gratuitamente no site eGroups (http://www.egroups.com) que em troca insere pequenos comerciais no rodapé de cada mensagem. Todas as mensagens trocadas durante o curso ficam arquivadas em uma página gerada pelo software. Veja abaixo a aparência da página inicial do curso gerada pelo eGroups.

Além das interações no grupo, os alunos também se comunicam através de email ou chat com nativos ou aprendizes da língua inglesa em outras partes do mundo.

A base teórica para o nosso trabalho está ancorada nos pressupostos da abordagem comunicativa, estudos sobre comunicação mediada por computador, aprendizagem colaborativa e teoria sociocultural que pressupõe que a aprendizagem humana é socialmente construída.

Em relação à abordagem comunicativa, o curso se insere dentro da versão forte da abordagem, assim descrita por Howatt (1985:279)

The ‘strong’ version of communicative teaching (...) advances the claim that language is acquired through communication, so that it is not merely a question of activating an existing but inert knowledge of the language, but of stimulating the development of the language system itself.

Para Howatt, a versão fraca pode ser descrita como ‘aprender a usar o inglês’ e a versão forte como ‘usar o inglês para aprendê-lo’. Ao optar por usar a versão forte, ou seja, usar a língua para adquiri-la, os seguintes aspectos são enfatizados: ensino centrado no aluno, tendo o professor como mediador; foco no conteúdo com ênfase na interação; concepção de língua como instrumento de comunicação e não como sistema formal; uso de material autêntico; e total tolerância aos erros.

A interação através de grupos de discussão encoraja os participantes a trabalhar de forma cooperativa e ao mesmo tempo permite que os alunos tenham sua individualidade preservada. Como diz Littlewood (1981:93)

[T]he development of communicative skills can only take place if learners have motivation and opportunity to express their own identity and to relate with the people around them. It therefore requires a learning atmosphere which gives them a sense of security and value as individuals.

Essa atmosfera é em grande parte atingida pela total tolerância aos erros e pela valorização das contribuições individuais através de constante feedback positivo. Apesar de uma imensa preocupação de alguns alunos, no início do curso, em terem todos os seus erros corrigidos, aos poucos os mais ansiosos acabam se adaptando à nova realidade de um curso voltado para a troca de experiências e a interação espontânea. Essa acomodação a um novo modelo de aprendizagem é muitas vezes incentivada pelos próprios colegas, como podemos comprovar na mensagem reproduzida abaixo.

>Ricardo. Subject: [rwatufmg] Hello everybody !

Date: Sat, 10 Apr 1999 21:14:10 –0300

Subject: [rwatufmg] Hello everybody !

From: Eduarda

To: "Ricardo Augusto" <rwatufmg@egroups.com>

I am so happy with this course. I think we'll have a great time.

I hope we always keep in touch with everybody.

Don't worry with the mistakes. When we are doing something wrong, it's good because we can learn with the mistakes. And I am sure that we'll never forget what we did wrong again.

I hope we enjoy this course.

Bye,

Eduarda

Experiências semelhantes, que priorizam a comunicação com alta tolerância aos desvios lingüísticos, estão sendo feitas em várias partes do mundo. Kelm (1996), ao relatar experiência de comunicação mediada por computador entre aprendizes de português como língua estrangeira, enfatiza a importância do foco no significado e não na forma. Diz ele:

The conversations that students have during CMCs become the source of the language environment. CMCs create a natural language environment in that the conversations focus almost entirely on content. (p.21) e acrescenta, [T]he fact that the student has gained enough confidence to express these thoughts to other peers in Portuguese is far more important, as related to the language acquisition, than the mere accuracy to the grammar. (p.24)

Para promover a interação on-line entre os alunos, nosso syllabus é baseado em funções tecnológicas e em funções comunicativas da forma mais integrada possível. Vejamos alguns exemplos de atividades:

1. utilizar mecanismos de busca para pesquisar sobre seu cantor/artista predileto e selecionar informações interessantes para compartilhar com o grupo;

2. conseguir um correspondente através de sites que oferecem serviços de keypals;

3. interagir em salas de chat;

4. visitar sites de cartões eletrônicos e enviar um cartão a um colega;

5. escolher um site onde pessoas se dispõem a colocar mensagens em garrafas e jogá-las ao mar e enviar uma mensagem para a humanidade;

6. aprender a fazer uma homepage simples com informações pessoais e indicação de sites prediletos com comentários críticos;

7. selecionar um jornal ou revista em qualquer país do mundo e ler sobre um assunto que naquele momento domina a mídia e, em seguida, compartilhar com os colegas as impressões sobre a veiculação da notícia nos diversos países;

8. selecionar sites que disponibilizam recursos para aprender e ensinar inglês e fazer uma apreciação crítica para enviar ao grupo.

Partindo do pressuposto Vygotskyano (Vygotski, 1984), que vê o aprendizado como um processo profundamente social, a interação virtual rompe as paredes da sala de aula e permite que novos atores passem a fazer parte do ambiente educacional, propiciando a cada aprendiz, inclusive ao professor, uma experiência ao mesmo tempo coletiva e única. Como nos lembra Debski (1997:44) using language no longer means pure transfer of information from person A to person B, but involves a social relationship between people. Nesse tipo de interação, os alunos aumentam seu repertório lingüístico e também refletem sobre sua prática como professores em formação. Professores e alunos tornam-se parceiros e trocam informações sobre a utilização da Internet no ensino/aprendizagem de inglês, como no exemplo abaixo:

Subject: [rwatufmg] Re: No Subject

Date: Sat, 10 Apr 1999 21:57:43 -0300

From: Ricardo Augusto de Souza <ricardod@unix.horizontes.com.br>

To: <rwatufmg@egroups.com>

At 21:39 10/04/99 -0300, Elaine wrote:

> At CNN, I had a great idea. I'll get some copies of the >news and I'll give to my students at CENEX. They will

> practice reading and they'll learn lots of new words.

Hi Elaine,

I'm so glad you're enjoying the course! Your idea is great. I also use a lot of stuff I find on the net as classroom material, and usually my students enjoy them a lot. Thanks for sharing this idea. I'm sure other people will like it too. You're perfectly right in what you said about the mistakes, I mean, you shouldn't worry about them. Later on we'll give you chances to revise them, and we'll also suggest sites where you can work directly on language improvement.

Cheers,

Ricardo

A ação de cada um dos atores desse processo contribui para a criação de um ambiente de aprendizagem flexível e democrático, cabendo ao professor gerar oportunidades para a solução de problemas em situações reais de aprendizagem. Neste novo universo das comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa, professores e alunos trocam experiências e se auxiliam mutuamente. Espera-se do aluno um certo grau de autonomia, capacidade de planejar seu tempo de dedicação ao curso e de compartilhar e interagir em grupo. Do professor, além do domínio do conteúdo, espera-se a capacidade de liderar a discussão sem monopolizá-la e um certo domínio tecnológico.

Os participantes desse processo, incluindo o professor, passam por um processo de aprendizagem ao mesmo tempo individual e coletiva que se dá através da interação e da negociação de sentidos com os outros e com o material com o qual também interagem. Vejam, a seguir um exemplo de negociação de sentido na interação entre aluno/alunos e aluno/aluno. Num primeiro momento um aluno envia uma mensagem a todos. A seguir ocorre a negociação de sentido entre dois alunos com o restante da comunidade enquanto os demais ficam como observadores. Neste exemplo, apresentamos apenas o segundo momento da interação.

Subject: [rwatufmg] Fabio

Date: Wed, 14 Apr 1999 09:00:18 -0700 (PDT)

From: Silvia

To: rwatufmg@egroups.com

Hi Fabio,

My name is Maria Celia and I read one message that you wrote the word "dunno" what does it mean?

Thanks

Silvia.

Subject: [rwatufmg] Re: Fabio

Date: Thu, 15 Apr 1999 00:00:15 -0300

From: Fabio

To: Silvia <rwatufmg@egroups.com>

Dear Silvia,

First of all, WELCOME ABOARD!!!

That is to answer your question about the expression "dunno". That's a famous reduction of ***don't know***. As you wish, it's regarded as a nonstandard word, that is to say, a word regarded as incorrect by most educated speakers. Here come other examples: gotta, gonna, coulda, wanna, etc.

That's all for now. I HAFTA GO NOW.

Happiness,

Fábio

O exemplo acima, além de demonstrar a negociação de sentido entre dois participantes, é também uma evidência do ambiente de aprendizagem colaborativa. O colega, além de fornecer o significado de "dunno", dá mais exemplos sobre o mesmo fenômeno. O diálogo entre os participantes, a colaboração através de informações, orientação e suporte estruturam um ambiente com inúmeras oportunidades de aprendizagem. A aprendizagem rompe o planejamento prévio do professor e permite que cada aluno estabeleça suas próprias prioridades. Além do professor, cada colega atua como um "coach" do outro, dando feedback, orientações e provocando curiosidades e reflexões em seu parceiro que assim se capacita para caminhar com autonomia pelos espaços virtuais da aprendizagem. Cada mensagem enviada ao grupo pode ser um gatilho que aciona a aprendizagem do outro.

No exemplo abaixo, um dos alunos confessa que aprendeu com a mensagem de outro e o monitor do grupo aproveita a oportunidade para teorizar, chamando a atenção para o conceito de aprendizagem colaborativa.

Subject: [rwatufmg] On second thought

Date: Sat, 10 Apr 1999 22:44:05 -0000

From: Raimundo

To: rwatufmg@egroups.com

By reading Elias's e-mail I concluded that I just had to write something about what I've seen and done in Module 2. So, let me say a little about it.

Jerusalem seems to be an interesting place but, despite being a christian, I wouldn't like to visit it. Utah seems to be a beautiful state although it can be very dry in summer and cold in winter. On the other hand, those mountains must be one of the most beautiful things on this planet. I say this because I just love mountains!

Is that all I should do?

Bye, because I'm tired of staying in front of this computer for about 2 hours.

Subject: [rwatufmg] Re: On second thought

Date: Sat, 10 Apr 1999 21:45:18 -0300

From: Ricardo Augusto de Souza <ricardod@unix.horizontes.com.br>

To: Raimundo

That's it Raimundo!

You see? This is the collaborative work component we talked about. Now after resting a bit (long hours in front of a computer can be really tiring), don't forget to visit DAVE'S ESL CAFE, VIRTUAL LANGUAGE CENTER and CNN from module 2. Specifications of what exactly you should send us about them will be found in module 2, Ok?

Congratulations on the hard work!

Cheers,

Ricardo.

Debski (1997:48), ao descrever alguns aspectos centrais do que poderíamos chamar de versão forte da abordagem comunicativa, diz que language learners abandon the role of diligent acquirers of knowledge, and become responsible, reflective and creative agents, taking over some responsibility for the outcome of the course. No exemplo abaixo, vemos uma concretização do que Debski teoriza acima. Vários traços característicos da construção social do conhecimento numa comunidade virtual de aprendizagem aparecerem nas mensagens abaixo. Em primeiro lugar, a aluna Kátia pede ajuda (endereços de sites) a alguém (somebody) e não aos professores, evidenciando a descaracterização do professor como única fonte de conhecimento. Em seguida, a participante avalia o bom trabalho de um colega, Fábio, e sugere que o mesmo compartilhe sua expertise com os demais colegas. Kátia quer aprender a inserir imagens em suas mensagens, o que não estava previsto no planejamento dos professores. O monitor, Ricardo, é o primeiro a responder à mensagem. Ele ensina o caminho para se conseguir os endereços, em vez de simplesmente dar a URL dos sites, ao fornecer o endereço de uma das tarefas onde os outros sites estão listados. Ricardo apóia a idéia de que Fábio auxilie seus colegas, o que serve de estímulo à resposta de Fábio que se manifesta, respondendo ao monitor e não à Kátia, e se oferece para um encontro com os alunos com dificuldades técnicas no laboratório da Faculdade de Letras.

Subject: [rwatufmg] module 2 - HELP

Date: Wed, 14 Apr 1999 07:09:54 PDT

From: Katia

To: rwatufmg@egroups.com

CC: ricardod@unix.horizontes.com.br

Hi classmates and teachers!

I was wondering if somebody could send me the links to visit "Dave´s ESL center","Virtual language center" and "CNN". I deleted the messages with these adresses and I didn´t visit those sites yet.

Fábio is really good working with INTERNET isn´t he? I Would like to learn how to attach fotos in my answers as he did. So Fábio, what about a free lesson to those students that are starting their experiences at virtual space?

That´s it for now, I´ll be back after lunch and CENEX class, and will try to visit these sites.

Cheers,

Kátia.

 

Subject: [rwatufmg] Re: module 2 - HELP

Date: Wed, 14 Apr 1999 14:31:24 -0300

From: Ricardo Augusto de Souza <ricardod@unix.horizontes.com.br>

To: rwatufmg@egroups.com

At 07:09 14/04/99 PDT, Kátia wrote:

>Hi classmates and teachers!

>

>I was wondering if somebody could send me the links to >visit "Dave´s ESL center","Virtual language center" and >"CNN".

Hi Kátia,

Just go to this site:

http://mofetsrv.mofet.macam98.ac.il/~elaine//eti/

Once there, enter Module 2.

 

> So Fábio, what about a free lesson to those students that > are starting their experiences at virtual space?

Great idea! How about that Fábio?

Cheers,

Ricardo.

Subject: [rwatufmg] Re: module 2 - HELP

Date: Thu, 15 Apr 1999 00:38:18 -0300

From: "Flavio P de Souza" <flaviops@uol.com.br>

To: <rwatufmg@egroups.com>,

"Ricardo Augusto de Souza" <ricardod@unix.horizontes.com.br>

Dear Ricardo,

How's everything?

That's about your proposal.I think I can cope with those students that are starting their experiences at virtual space. I'd say it's OK for me. I think we could fix up a time for the free lesson. Perhaps, One Monday at night (FALE's computer facilities).

With a taste for adventure and the outdoors, we all would plunge into the web sea. Okey-dokey!

I'll talk to you later. I'm in a hurry cause it's getting late and it's time to go to bed now. Drop me a line anytime you want.

Regards,

Flavio

Dentro dessa nova modalidade de ensino/aprendizagem, alunos e professores assumem novos papéis. Segundo Azevedo (2000),

ser um aluno online é mais do que aprender a surfar na Internet ou usar o correio eletrônico. É ser capaz de atender às demandas dos novos ambientes online de aprendizagem, é ser capaz de se perceber como parte de uma comunidade virtual de aprendizagem colaborativa e desempenhar o novo papel a ele reservado nesta comunidade.

Azevedo (2000) diz ainda que

o professor online precisa ser antes de mais nada convertido a nova pedagogia. Não é apenas mais um novo meio no qual ele tem que aprender a se movimentar, mas é uma nova proposta pedagógica que ele tem que ajudar a criar com sua prática educacional. Assumir o papel de companheiro, liderança, animador comunitário é algo bem diferente do que tem sido sua atividade na educação convencional. Seu grande talento deverá se concentrar não apenas no domínio de um conteúdo ou de técnicas didáticas, mas na capacidade de mobilizar a comunidade de aprendizes em torno da sua própria aprendizagem, de fomentar o debate, manter o clima para ajuda mútua, incentivar cada um a se tornar responsável pela motivação de todo o grupo.

Até agora mostrei o lado positivo da experiência, no entanto, é necessário também mostrar os problemas. No momento em que a disciplina passou a ser dada on-line duplicou-se o número de matriculados, mas o índice de evasão também aumentou muito. No primeiro semestre de 2000, por exemplo, matriculara-se 45 alunos, destes, 12 nunca se manifestaram, dos 33 restantes, apenas 22 chegaram ao final do curso. Houve cerca de 50% de desistência. O motivo é sempre o mesmo – a impossibilidade de ficar várias horas em frente à tela do computador. Os alunos que utilizam email gratuito, tipo hotmail, são obrigados a ler as mensagens em páginas da web, o que significa gastar muito tempo para a exibição de cada uma delas. A lentidão da Internet os deixa ansiosos e cansados. O mesmo acontece com a demora em visualizar alguns sites que eles têm de visitar. Alguns participantes também demonstram insatisfação com a leitura de textos na tela. Vejam exemplo de queixa de aluno sobre o problema da lentidão e da leitura de textos na web.

Subject: [rwatufmg] Module 2 and others

Date: Tue, 13 Apr 1999 01:58:37 -0000

From: Raimundo

To: rwatufmg@egroups.com

Hi there, people,

(…) reading lots of text on the net, in my opinion is quite tyring and boring; so, I only read what is really necessary and interesting. On the other hand, the activities which make me think and work give me a lot of fun (I fortunatelly found them in Module 2). When I say I don't like reading text on the screen it is especially true as far as waiting for the new page to load is concerned. Even when I am at a very fast computer I don't have the nerve to wait for the pages to load. That's why I give up sometimes.

I don't what you to think I'm a grouch, I'm just telling the truth about what I think of the net. However, I know I'll get used to it and enjoy surfing on the net a little bit more. I think the activities are interesting and we do learn from them. I also find this activity of exchanging e-mail in English very interesting.

I'm sorry if I sounded so rude but I'm really pissed off today (sorry for the cursing). To be quite frank, I've been enjoying the activities suggested; the only problem is the time some pages take to be loaded and the downloading of some pictures and programs just take forever.

See you on the web,

Raimundo

Outro problema que pode ocorrer é a indicação de um site que fica temporariamente fora do ar. Os alunos imediatamente recorrem ao professor. Vejam o exemplo abaixo:

De: Vera Menezes [vlmop@net.em.com.br]

Enviado em: Domingo, 30 de Abril de 2000 20:17

Para: rwufmg@egroups.com

Assunto: RES: [rwufmg] task 10

Mércia,

There might have been a problem with the server. Try it again.

 

Hugs,

Vera

> if it's my computer problem or the" servidor" problem or > because it's too full of people at this time..I'm trying > to do the xercise later.

> Mércia

 

Apesar dos obstáculos, as avaliações dos alunos têm sido muito positivas. Reproduzo alguns comentários abaixo como ilustração:

1. I visited the site suggested by Vera and I thougth it was great. These exercises are improving my English and helping me to improve my vocabulary more and more. I didn't think that the tests weren't so easy but my score wasn't so bad. They really needed us to pay attention to do them.

I'm really enjoying this subject (English through

internet).

2. I guess all kind of exercises are great, and this 9th task wasn't different. it's a little hard work but it's great.

3. By the way, I am suggesting these wonderful English sites to my friends and students. Everyone around me is in love with them.

4. Dear Vera & Ricardo,

Thanks for everything. The course was great. It was a fantastic experience. I never had made a whole course through Internet. You, teachers, had great ideas and the tasks were very important exercises for verybody.

One more time, THANKS A LOT.

Health, Peace, Freedom and Work.

I hope you continue with it, it's important.

Hugs,

Afonso

Para concluir, gostaria de retomar o título deste texto, derrubando paredes e construindo comunidades de aprendizagem, para discutir um novo conceito de aula. Ur (1996:213) ao definir o que é uma aula diz que:

Lessons in different places may vary in topic, time, place, atmosphere, methodology and materials, but they all, essentially, are concerned with learning as their main objective, involve the participation of learner(s) and teacher(s), and are limited and pre-scheduled as regards time, place and membership.

No modelo virtual que adotamos, tempo e espaço, e até mesmo os membros, deixam de ser predeterminados. As paredes e as barreiras de tempo são metaforicamente derrubadas, pois não há horário e nem espaço previamente fixados. De uma certa forma, deixamos em aberto também a possibilidade de uma certa participação indireta na "aula". Como não colocamos restrições de acesso à homepage onde as mensagens são arquivadas, qualquer pessoa pode se beneficiar da troca de informações entre os atores visíveis do processo – alunos, monitor e professor.

Inúmeros outros atores invisíveis – keypals ou parceiros em interações via chat – também participam indiretamente da comunidade individual de aprendizagem e viabilizam a construção social do conhecimento. Como nos lembra van Lier (2000:248) the learner can learn best from negotiating with a native speaker or a more competent interlocutor, presumably because knowledge has to come from one who knows or can do more.

Retomo finalmente a epígrafe deste texto trazendo a voz de Paulo Freire que nos alerta que ninguém educa a si mesmo, os homens educam entre si, mediatizados pelo mundo. O que estamos fazendo em nossos cursos online é propiciar uma mediação entre os nossos alunos e toda uma comunidade discursiva composta por agentes diversos – falantes e aprendizes de inglês. Possibilitamos aos nossos alunos um maior contato entre eles mesmos (alunos de turnos diferentes) e com o mundo ao derrubar as paredes da sala de aula tradicional e dessa forma construir um ambiente onde todos se educam, inclusive o professor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, Wilson. Panorama Atual da EaD no Brasil (part II). Texto divulgado através da Internet em Seminário Virtual.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

HOWATT, A. P. R. A history of English language teaching. Oxford: Oxford University Press, 1984.

KELM, Orlando. The application of computer networking in foreign language education: focusing on principles of second language acquisition. In:WARSCHAUER, Mark.(ed.) Tellecollaboraton in foreign language learning. (Technical Report # 12). Honolulu: University of Hawai’i Press, 1996. p. 19-28

LITTLEWOOD, William. Communicative language teaching:an introduction. Cambridge: Cambridge University Press, 1981.

SILVA, Renato C. Teaching and learning English through Internet. In: XIV ENPULI (Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua Inglesa. Belo Horizonte: UFMG, 1990. p.284-292

SOUZA, Ricardo A. O chat em língua inglesa: interações nas fronteiras da oralidade e da escrita. Faculdade de Letras da UFMG, 2000. 154 p. (Dissertação, Mestrado em Estudos Lingüísticos: Lingüística Aplicada)

UR, Penny. A course in language teaching. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Trad. Gupo de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos – Departamento de Ciências Biomédicas – Usp. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

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