PAIVA, V.LM.O. Desenvolvendo a habilidade de leitura In: PAIVA, V.L.M.O. (Org.). Práticas de ensino e aprendizagem de inglês com foco na autonomia. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2005. p. 129-147

 

DESENVOLVENDO A HABILIDADE DE LEITURA

 

Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva

 

Reading is to the mind what exercise is to the body.

Sir Richard Steele

 

A

 leitura está presente em nossas vidas de forma muito intensa, pois está associada a muitas de nossas atividades, sejam de trabalho, lazer ou mesmo de nossa rotina cotidiana como fazer compras ou ler um bilhete deixado por um familiar ou amigo.

           

 

ATIVIDADE

 

Faça uma lista de todos os tipos de texto que você lê durante a semana? Peça a seus alunos para fazerem a mesma coisa. Compare as duas listas e escreva no quadro abaixo as semelhanças e diferenças entre as duas listas.

 

 

TIPOS DE TEXTOS

 

SEMELHANÇAS ENTRE ALUNOS E PROFESSORES

DIFERENÇAS

ALUNOS

DIFERENÇAS PROFESSOR(A)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que tipo de texto você mais gosta de ler? E seus alunos? Esses textos são usados em sala de aula? A leitura em sala de aula tem alguma relação com a leitura feita fora dela?

 

Agora volte à listagem que vocês produziram e sublinhe o que vocês lêem em voz alta. Quantos itens você sublinhou?

 

Provavelmente nenhum. Então porque as atividades de leitura em sala de aula são muitas vezes feitas em voz alta? Segundo Brown (1994, p. 297), a leitura em voz alta é pouco produtiva, além de não ser uma atividade muito autêntica, pois, enquanto um aluno lê, os outros podem perder a atenção ou ficar lendo o parágrafo da frente. Para esse autor, a leitura em voz alta serve apenas para checar pronúncia, avaliar o processamento dos itens lingüísticos e dar oportunidade de participação para alguns alunos, apesar de ele considerar que esse tipo de participação pode ser apenas aparente, tendo em vista que a leitura em voz alta pode ser uma mera recitação.

 

Lemos sempre com um propósito. Lemos jornais para nos informar sobre o mundo em nossa volta; rótulos de produtos para identificar seus componentes e prazos de validade; lemos manuais para poder operar equipamentos; lemos cartas e e-mails para interagir com as pessoas; lemos formulários para inserir as informações solicitadas; romances e contos para nos distrair e nos dar prazer estético; etc. Essas leituras são, geralmente, feitas em silêncio, a não ser quando queremos compartilhar trechos com pessoas ao nosso redor.

 

 

Qual é a relação da leitura em sala de aula com as atividades da vida cotidiana? A leitura em sua sala de aula é usada para construir conhecimento, para promover interação, para experiência estética, ou é um mero pretexto para aprender esse ou aquele ponto gramatical ou ainda para treinar pronúncia?

 
 

 


                           Avalie sua prática como professora de língua e a utilização que você faz da leitura. Escreva suas reflexões em seu diário.

 

 

A atividade de leitura é um processo de construção de significados que envolve a habilidade de processar as informações registradas no papel ou em uma tela (processo bottom-up) e o conhecimento de mundo que o leitor aciona para compreender um texto (processo top-down). No processamento bottom-up, o leitor lança mão de seu conhecimento lingüístico – vocabulário, prefixos e sufixos, marcadores discursivos, organização textual, conjunções etc. São elementos como os sufixos e prefixos, por exemplo, que permitem que o leitor atribua significado a uma palavra. Esse processamento é feito simultaneamente com o processamento top-down, que consiste em um jogo de adivinhações em que o leitor utiliza seu conhecimento de mundo (background knowledge) para testar hipóteses e fazer previsões sobre o que vai encontrar em um texto. Assim, a leitura é vista como construção de significados e não como mera transmissão de informação, visto que leitores diferentes atribuem significados diferentes ao mesmo texto.Vejamos um exemplo concreto desse processamento. Leia o texto abaixo:

 

Journey To Ladakh- Part 4
Rasik Shah

(...)

Leaving Shimla at an altitude of 2130 meters we head towards Narkanda at 3143 meters through a winding mountainous road which under the constant Monsoon drizzle is becoming more and more soggy. We have a relatively uneventful journey to Rampur, but our progress through the soggy, mud road is slow and we decide to stay on in Rampur for the night.

(...)http://www.sawf.org/Newedit/edit05292000/TRAVEL.ASP    (acesso em 07/2/2004)

 

Ao ler o texto acima, o leitor brasileiro vai identificar palavras cognatas e numerais: altitude; 2130 meters; 3143 meters; mountainous; constant; relatively; journey; progress; decide. Provavelmente, o leitor vai perceber que se trata de uma descrição de uma viagem em um lugar montanhoso (journey/altitude/mountainous). O leitor vai usar seu conhecimento de mundo (processo top-down) para produzir sentido e vai buscar no texto (processo bottom-up) informações lingüísticas para dar suporte às suas hipóteses. A palavra road (estrada) aparece precedida de 2 modificadores diferentes em duas partes do texto: a winding mountainous road / the soggy, mud road. Suponhamos que o leitor conheça apenas as palavras “mountainous”, um cognato, e já tenha aprendido a palavra mud. Através do processo bottom-up, o leitor leva ao cérebro a informação de que se trata de uma estrada montanhosa e que winding e soggy estão funcionando como adjetivos, ou seja, são outros atributos de estrada. Através do processamento top-down, esse mesmo leitor ativa seu conhecimento de mundo e levanta hipóteses sobre o que podem significar os outros termos. Quais são as características de uma estrada montanhosa? Provavelmente, a idéia de ser sinuosa, cheia de curvas, será uma das primeiras coisas a lhe vir à mente. Suponhamos ainda que esse mesmo leitor tenha aprendido que “to wind” significa, em outro contexto, “dar corda em um relógio”. Ao lembrar do movimento, ele pode levantar a hipótese de que winding significa cheia de voltas, de curvas. No outro sintagma “the soggy, mud road”, a palavra soggy está junto de mud (lama) e esse ambiente lexical poderá levar o leitor a pensar em chuva, tempo chuvoso e associar a palavra soggy a algo causado pelo tempo chuvoso. Mesmo que o leitor não investigue o significado de winding (sinuoso) e soggy (encharcado), seu conhecimento de mundo é suficiente para ele inferir que a estrada apresentava características que dificultavam a viagem, motivo pelo qual o progresso era lento (slow) e os fez parar. Como sabemos que, no texto, havia mais de uma pessoa? Pelas pistas lingüísticas, os pronomes we e our (processamento bottom-up).

            O processo descrito acima é uma hipótese do que pode acontecer com um leitor. Com outra pessoa, poderia acontecer de forma diferente: outras estratégias poderiam ser usadas, como, por exemplo, a consulta ao professor, ao colega, ao dicionário etc. Os processamentos bottom-up e top-down parecem ser uma constante, mas não são as únicas ações em um ato de ler. Os leitores têm conhecimento lingüístico variado, experiências de mundo diferentes e usam estratégias de aprendizagem de acordo com seus estilos cognitivos e de personalidade.

 

ESTRATÉGIAS DE LEITURA

 

As duas estratégias de leitura mais citadas pelos estudiosos da habilidade de leitura são: scanning e skimming. Segundo Lindsay (2000, p.162), a utilização dessas estratégias depende do propósito da leitura e elas devem ser ensinadas em situações em que sejam realmente relevantes.

 

Vejamos o que cada uma delas significa e em que situações seriam mais adequadas. O dicionário eletrônico do YAHOO[1] registra, entre outros, os seguintes significados para scan:

 

VERB:

Inflected forms: scanned, scan·ning, scans

TRANSITIVE VERB:

1. To examine closely.
2. To look over quickly and systematically: scanning the horizon for signs of land.
3. To look over or leaf through hastily: scanned the newspaper while eating breakfast.

 

 É interessante observar que o significado 3 já traz um exemplo de uso da estratégia: folhear rapidamente um jornal. Como podemos perceber no verbete, scanning é uma estratégia de leitura que significa dar uma lida rápida, folhear um livro, catálogo, manual etc., para achar algo específico como uma data, um nome, um número telefônico, um conceito, uma definição.

 

Skimming

 

Vejamos dois significados do verbo skim registrados no mesmo dicionário:

 

VERB:

Inflected forms: skimmed, skim·ming, skims

TRANSITIVE VERB:

1a. To remove floating matter from (a liquid). (…)

4. To read or glance through (a book, for example) quickly or superficially.

 

 

A palavra skim tem a mesma origem da palavra escumadeira, aquele tipo de colher cheia de orifícios que você passa sobre a superfície de um líquido para retirar resíduos, espuma, nata etc. Essa estratégia, metaforicamente, significa passar uma escumadeira na superfície do texto para retirar o sentido geral (gist).

 

Você faz uma leitura rápida para entender as idéias e conceitos principais. Para tanto, o leitor recorre ao título, subtítulos, ilustrações, nome do autor, a fonte do texto, o início e o final dos parágrafos, itálicos, sumários. 

 

Davies (1995, p. 26) propõe onze tipos de perguntas para desenvolver a estratégia de skimming.  Algumas delas são:

 

·        Qual é a sua primeira reação ao texto?

·        De onde você pensa que este texto foi retirado?

·        O texto é sobre o que?

·        Até que ponto este texto desperta seu interesse?

·        Você acha que vai gostar de ler este texto?

·        Você pode dizer porque?

·        Que grau de facilidade ou de dificuldade você atribui à leitura deste texto

·        Você pode dizer porque?

 

Para Davies (1995, p.150-151) skimming  envolve a exploração, pelo estudante, dos aspectos afetivos da interação entre o escritor e o leitor e as de scanning têm por objetivo a organização e estruturação do processamento cognitivo do texto. Ambas são estratégias associadas a leituras rápidas e são muito semelhantes. O que diferencia uma da outra é que, ao usar a estratégia de scanning, o leitor sabe o que está procurando, ou seja, ele está procurando uma informação específica, ao passo que, com a de skimming, o leitor está em busca do sentido geral do texto, muitas vezes para decidir se vai ler todo o texto de forma mais detalhada.

 

Uma estratégia não exclui a outra. Muitas vezes você usa a estratégia de skimming para ler em um jornal, por exemplo, a seção de cinema. Você escolhe o filme pelo título e, em seguida, usa a técnica de scanning para localizar o horário. Se o horário for conveniente, você pode usar uma terceira estratégia, ler detalhadamente.

 

Veja, em seguida, uma lista de leituras diferentes. Que estratégias você utilizaria com cada tipo de texto. Complete o quadro abaixo:

 

Kind of reading activity

skimming

scanning

detailed reading

Looking up a word in a dictionary

 

 

 

Reading a form to be filled in.

 

 

 

Finding the price of a sandwich

 

 

 

Giving title to a text

 

 

 

Reading game instructions

 

 

 

Choosing the least expensive hotel

 

 

 

Reading newspaper headlines

 

 

 

 

 

Há, ainda, uma série de estratégias que podem auxiliar no desenvolvimento da leitura, tais como inferência; utilizar o conhecimento sobre formação de palavras; conhecer a organização textual, os conectivos;  usar dicionário; fazer marcas  ou anotações no texto; formular perguntas.

 

Davies (1995, p. 26) sugerem, ainda, algumas perguntas que podem ser feitas sobre qualquer texto e que têm como alvo o registro do texto, ou seja, a atividade social e objetivos do texto, a relação entre o escritor e seus leitores, e o estilo do texto (Davies, 1995, p.27). São elas:

 

·        Sobre o que é o texto?

·        De onde ele foi tirado?

·        Quais são os propósitos sociais do texto?

·        Quem escreveu o texto?

·        A quem este texto é endereçado?

·        Qual é o papel assumido pelo autor? (ou papéis assumidos)

·        Que papel ou papéis o autor atribui ao leitor?

·        Como o texto é organizado?

·        O que se sobressai nas escolhas lingüísticas do texto?

 

SUGESTÕES DE AULAS DE LEITURA

 

A seguir, você vai encontrar algumas sugestões de como desenvolver uma aula de leitura. Você pode escolher a que melhor se adequa à sua realidade ou fazer as adaptações necessárias. São apenas sugestões retiradas de alguns autores que escreveram sobre o ensino de leitura.

 

A)    A sugestão abaixo foi adaptada de Parrot (1999, p.183)

 

1. O professor ensina algumas palavras-chaves.

2. Os alunos discutem tópicos relacionados com o conteúdo do texto.

3. Os alunos tentam prever o conteúdo do texto a partir do título, ilustrações, primeira linha etc.

4. Os alunos fazem uma leitura rápida para localizar os nomes próprios.

5. Os alunos fazem uma leitura rápida para responder a uma ou a duas perguntas.

6. Os alunos fazem um exercício detalhado no formato false/true.

7. Os alunos localizam “topic sentences”[2] em alguns parágrafos.

8. Os alunos tentam identificar o significado de algumas palavras e expressões a partir do contexto.

9. Os alunos consultam o dicionário.

10. Os alunos fazem perguntas aos colegas e ao professor sobre palavras desconhecidas.

11. O professor chama a atenção para aspectos gramaticais que auxiliam na compreensão.

 

            B. Sugestão de uma aula de leitura, segundo Lindsay (2000. p.163-168)

Step one: Create interest (relacionar o texto com a experiência dos alunos ou pedir os alunos para preverem o conteúdo a partir do título)

Step two: Pre-teach vocabulary (selecione algumas palavras desconhecidas dos alunos e as ensine antes da leitura)

Step three: Give a reading task (ex. peça aos alunos para responderem a algumas perguntas, tais como “What is the text about?; What is the writer’s purpose?; How does the writer define …?)

Step four: Give follow-up activities (completing tables and questionnaires; acting out roles; writing/finishing stories; true and false)

 

Atividades com leitura

 

 

A aula de leitura não precisa repetir o modelo tradicional de um texto acompanhado de perguntas que, muitas vezes, não envolvem nenhum esforço cognitivo e fazem com que os alunos achem a aula monótona e artificial. Veja, abaixo, alguns tipos de atividades que podem tornar sua aula mais interessante.

 

Classificar elementos de um texto

Colocar eventos em ordem

Colocar parágrafos/frases em ordem.

Combinar um conjunto de títulos com um grupo de pequenos textos

Comparar textos sobre um mesmo assunto

Comparar textos e gravuras

Completar um diagrama após a leitura de um texto

Completar um texto

Completar ou construir um mapa semântico após a leitura de um texto. (ver atividade 4)

Dar título a um texto

Desenhar para ilustrar um texto

Escrever carta ao editor após ler um texto de jornal ou revista

Fazer anotação das idéias principais

Fazer inferências

Fazer previsões

Fazer resumos

Fazer um diagrama indicando relações entre personagens, eventos, itens de um texto etc.

Identificar a idéia principal ou idéias principais

Identificar o que é fato e o que é opinião

Localizar e sublinhar partes do texto

Localizar um número X de erros introduzidos em um texto

Mudar o final de um texto

Ordenar uma seqüência de gravuras

Os alunos lêem textos diferentes e depois se reúnem para compartilhar informações

Procurar informações específicas

Realizar exercícios diversos de retextualização (ex. versão moderna de um conto de fadas)

Responder a questões de múltipla escolha

Segmentar o texto em unidades de significado

Selecionar um livro, filme, ou videogame

Traduzir

 

A seguir, você vai encontrar algumas atividades de leitura que podem lhe servir de estímulo para a criação de outras atividades. Todos os textos foram retirados da Internet.

 

Activity 1. Have a look at the Breakfast Menu below. Choose the three best options according to your taste. Now work in groups of four and prepare another Menu including only the dishes you have selected. You are free to introduce other elements.

Spooner Market & Grill

Breakfast

 

We make toast from our fresh homemade Challah. Challah is a braided egg bread which is tender and moist. Choices of meat include bacon, our own apple sausage patties, sausage links or vegetarian sausage links.

 

 

Eggs

 

 

The Classic

4.50

Three eggs your way with your choice of meats, market potatoes and toast.

 

Small Breakfast