UESB
ATIVIDADE: PRODUÇÃO
DE TEXTO RELATANDO EXPERIENCIAS PARA COM LINGUA INGLESA
IDADE: 24 ANOS
SEXO: MASCULINO
Minha
trajetória em relação à língua inglesa
Uma vez
que sempre estudei em escola publica, meu primeiro contato com o ensino de
língua inglesa ocorreu na quinta serie do ensino fundamental. Para mim e para a
maioria de meus colegas, a idéia de aprender inglês era fantástica. Tínhamos a
ilusão de que realmente iríamos aprender falar inglês na escola. Ilusão essa,
destruída naquele mesmo ano, quando percebi que passar o ano todo estudando o
alfabeto não me levaria à realização do meu desejo de falar ao menos algumas
palavras na língua das musicas que eu gostava de ouvir.
“Quem
sabe no próximo ano” pensava eu a cada serie que passava, mas a empolgação foi
sendo destruída não somente pela não aprendizagem, mas principalmente pelo fato
de que pouco a pouco eu descobria que meus professores não me ensinavam porque
não queriam, mas porque não sabiam inglês . Tive a certeza disto quando na
oitava serie, a melhor professora de português que eu tinha tido ate então,
passou também a dar aulas de inglês. Aquela velha empolgação retornou por algum
tempo ate perceber que a minha melhor professora de português era pior
professora de inglês que as anteriores, mas com a diferença de que ela dizia
honestamente: “não sou professora de inglês, estou ensinando essa disciplina
apenas para completar a minha carga horária.”
Ao
chegar ao antigo segundo grau, o inglês já não me influenciava mais, tinha me
contentado apenas em ouvir as musicas que gostava e não entender nada. Ate que
no segundo ano do segundo grau surge uma oportunidade, uma escola de cursos de
idioma com preços bem mais acessíveis que os das outras quais nunca cheguei nem
sonhar a freqüentar devido aos altos preços das mensalidades. Àquela altura eu
estudava a noite e trabalhava durante o dia, e o valor daquelas mensalidades
cabia no meu orçamento. Então me matriculei, mais pelo valor das mensalidades
de que por aquela velha empolgação em aprender inglês. Estudei apenas por um
semestre, pois tive que sair do emprego e não pude mais pagar as mensalidades,
mas foi tempo suficiente para eu aprender muito mais do que eu tinha aprendido
em todos os meus nos de escola e para me apaixonar definitivamente pela língua
inglesa.
No meu
ultimo ano no segundo grau, pela primeira vez tive, na escola, um professor que
realmente conhecia a língua inglesa, afinal ele não só falava, mas havia morado
em um país de língua inglesa. O curioso é que, sendo um conhecido professor de
escolas de idiomas, este também não ensina nada, nem se que falava em sala de
aula- o que lhe rendera o apelido de professor
mudo. Certa vez, tentando praticar meu fraco inglês, lhe perguntei se ele
não gostava de falar inglês, sua explicação foi que, segundo ele, ensinar
inglês em escolas publica não funciona. Esse fato me revoltou, e eu que, ”as
vésperas” do vestibular, ainda não sabia o que iria fazer, me decidi- eu iria
cursar Letras e seria professor de língua inglesa.
No
ensino superior eu já havia sido prevenido que eu não teria um ensino de inglês
propriamente dito, mas que seria cobrado. Tratei então de entrar novamente em
um curso de idiomas. Como eu, de forma autodidata, havia estudado e praticado
bastante, pulei algumas etapas do curso de inglês e foi direto para o penúltimo
semestre do curso. Foram dois semestres maravilhosos, em que tive ótimos
professores e que pude finalmente começar a falar inglês com certa fluência. E
ao fim do curso tive então a primeira oportunidade de ensinar inglês ao ser
convidado a ser professor nessa mesma escola de idiomas e em filiais em cidades
vizinhas.
Ainda
no ensino superior tive a experiência de voltar aos colégios públicos por meios
dos estágios. Pude então ver que a situação para com o ensino de língua inglesa
tinha piorado ainda mais, ao ponto de ver professores de matemática, disciplina
completamente diferente, lecionando inglês, e professores regentes pedirem para
assistir as minhas aulas para aprender um pouco de língua inglesa.
Concluindo
o ensino superior passei a ensinar minha disciplina em cursos de idiomas, mas
sem esquecer a minha vontade de voltar às escolas publicas e fazer diferente do
que fizeram, ou de que puderam fazer, meus professores no ensino fundamental e
médio.
E agora
estou num curso de pós-graduação em nível de especialização em língua inglesa,
a espera de uma oportunidade de ingressar como professor de inglês em escolas
públicas e fazer o possível para realmente promover, ao menos, uma aprendizagem
básica àqueles que vierem a ser meus alunos de inglês.
Quarta feira, 08 de abril de 2009